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As 10 Igrejas e Capelas que você precisa visitar em Ouro Preto

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Torre da Igreja de Nossa Senhora do Rosário em Ouro Preto

Com um conjunto que conta com 132 igrejas e capelas, selecionamos um guia com as mais bonitas abertas à visitação para você conhecer e planejar sua viagem.

Por Rayssa Amaral

Ouro Preto tem, entre a sede e seus os doze distritos um conjunto de 132 igrejas e capelas, datadas de vários períodos. As igrejas e capelas recontam a história do Brasil e de Minas em cada uma de suas representações. As irmandades são representativas em Ouro Preto, construíram ao longo de mais de 300 anos igrejas e capelas que manifestam fé, devoção e a tradição dos mineiros.

Com tantas opções fica difícil fazer um roteiro para conhecer todas. Por isso, o ouropretocultural  apresenta em seu Guia uma seleção das igrejas e capelas de Ouro Preto que você não pode deixar de conhecer. Abaixo você verá um pouco da história de cada uma e saberá quais estão abertas à visitação. Para conhecer mais sobre todas elas você encontra em nossa Loja de Ouro o livro “Ouro Preto: Igrejas e Capelas”.

1. Basílica de Nossa Senhora do Pilar

Erguida durante o ciclo do ouro e inaugurada em 1733, a Basílica do Pilar é um dos templos mais gloriosos da cidade. Tendo sido a comunidade com maior número de irmandades, a Paróquia do Pilar foi a mais rica e populosa dos tempos de Vila Rica. Assim, os fiéis ergueram a igreja com uma ornamentação de forma a demonstrar a hierarquia social de seus fiéis. Sua decoração é mais suntuosa e se destaca das demais.

Sendo a Igreja com a maior concentração de ouro em Ouro Preto, em todos seus aspectos tem algum detalhe. Seu forro conta com um conjunto de pinturas no estilo rococó e pela sua extensão podem ser vistos 15 painéis com molduras marmorizadas que retratam o Antigo Testamento.

A igreja tem ainda em seu subsolo o Museu de Artes Sacras, que reúne mais de 8 mil peças dos séculos XVII ao XIX. Ele também está aberto à visitação.

Foto: Ane Souz/PMOP

2. Igreja de São Francisco de Assis

Considerada uma das obras-primas do barroco brasileiro e eleita uma das 7 Maravilhas de Origem Portuguesas no Mundo, a Igreja de São Francisco de Assis traz em seu conjunto arquitetônico obras de Aleijadinho e pinturas de Manuel da Costa Ataíde. A representação da Assunção da Virgem é a obra mais renomada do Mestre Ataíde, a pintura encontra-se no forro da nave da igreja.

Com destaque para sua fachada diferenciada, que esbanja elegância e harmonia, surpreende também por ser uma das raras igrejas em que seu projeto, tanto as esculturas quanto as talhas são do mesmo artista. Com harmonia entre arquitetura e ornamentação a Igreja de São Francisco de Assis é uma das maiores representações do trabalho de Aleijadinho em Minas Gerais.

Sua sacristia conta com diversas obras que também podem ser visitadas. A Igreja de São Francisco de Assis faz parte do conjunto de visitações da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição.

3. Santuário de Nossa Senhora da Conceição

Construída pelo bandeirante Antônio Dias, a pequena capela se transformou em uma suntuosa Igreja dedicada a de Nossa Senhora da Conceição por volta de 1726. O templo é atribuído ao arquiteto Manuel Francisco Lisboa, pai de Aleijadinho, estão sepultados na igreja.

A igreja é considerada como um dos mais importantes monumentos do Brasil, a matriz conta muito sobre a história da arte brasileira, apresentando três fases do barroco colonial em seus painéis, retábulos e altares.

Elevada à condição de Santuário em 2006, a igreja conserva em seu interior diversas obras, também pode ser encontrado o belo Museu do Aleijadinho, na sala da sacristia e na sala da criptaue homenageia o arquiteto e que conta com um rico acervo do imaginário barroco.

Igreja de Nossa Senhora da Conceição em Ouro Preto
Foto: Ane Souz/PMOP

4. Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos

Considerada por especialistas como a máxima expressão do barroco mineiro, a Igreja do Rosário tem um traçado erudito e imponente, assemelhando-se às antigas igrejas romanas.

Um dos templos sacros do Brasil Colônia, sua fachada é alongada e em formato cilíndrico com três arcos em sua entrada, tem seus corredores quadrangulares em torno do altar principal. A igreja tem traçados barrocos e seus altares tem toques tipicamente feitos em estilo rococó.

Pode-se ver a devoção à Nossa Senhora do Rosário em vários aspectos no dentro e fora da igreja, em destaque a sua imagem sobre um bloco de nuvens com querubins e em outra imagem em que carrega o Menino Jesus.

A história conta que a santa pode ter sido escolhida como protetora dos escravos em contradição aos brancos acharem que eles não conseguiam assimilar as orações católicas, assim, a santificação do Rosário por eles que carregavam o terço para facilitar as orações, lembrando ainda o sincretismo com os búzios e outras representações de matriz africana. Aberta todos os dias, a igreja não cobra taxas para sua visitação.

Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos em Ouro Preto
Foto: Ane Souz/PMOP

5. Igreja de Santa Efigênia

Conhecida como Igreja do Chico Rei, seu nome completo é Nossa Senhora do Rosário dos Pretos da Capela da Cruz do Alto do Padre Faria. Conhecida apenas como Santa Efigênia é uma igreja espetacular, com uma grande escadaria na entrada e a vista da parte antiga da cidade no topo de sua escadaria.

A história conta que a igreja foi construída por Chico Rei e sua tribo usando o ouro retirado da Mina da Encardideira. Sua pintura monumental representa quatro Doutores da igreja, entre eles um Papa Negro.

A comunidade da Confraria do Rosário, tradicionalmente formada por negros, escravos ou alforriados, faz o sincretismo com as religiões africanas e coroa Nossa Senhora com suas folias de reis e os Congados.

Igreja de Santa Efigênia em Ouro Preto
Foto: Ane Souz/PMOP

6. Capela do Padre Faria

Uma das capelas mais antigas de Minas Gerais, fica no bairro de mesmo nome, onde o Padre Faria teria elevado um dos arraiais que formavam a cidade. Com uma simplicidade singular, a elegância desta capela que abriga a Nossa Senhora do Bom Parto traz o alento aos fiéis.

Seu nome original é Capela de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Brancos, quem oordenava era a Irmandade de Nossa Senhora do Partoonstituída de homens pardos e mamelucos. Uma peculiaridade dessa capela vem também do campanário que fica no anexo, pois existe uma torre ao lado apenas para seu sino.

Modesto, mas muito sonoro, conta-se que o sino tem uma grande representação para a história do Brasil, ele foi tocado em três relevantes ocasiões: A morte de Tiradentes, a inauguração de Brasília em 1960, quando o sineiro ouro-pretano Amador Gomes teria mostrado a arte dos sinos com repiques e dobre festivos levando o sino da capela para a nova capital. Além destas duas ocasiões, o sino foi tocado na morte do presidente Tancredo Neves.

Capela do Padre Faria em Ouro Preto
Foto: Ane Souz/PMOP
Foto: Ane Souz/PMOP

7. Igreja de Nossa Senhora do Carmo

Com construção original de Manoel Francisco Lisboa e modificação de seu filho, Aleijadinho, a Igreja de Nossa Senhora do Carmo tem uma fachada belíssima atribuída ao mestre. Seu plano original teve um rebuscamento no estilo rococó em sua finalização, com entalhamento em pedra sabão mostrando o brasão da Ordem do Carmo rodeado por querubins que seguram a coroa de Nossa Senhora.

Seu interior conta com douramentos por todas as partes e o destaque de dez painéis em azulejos portugueses em faiança. A pintura do forro de seu altar mor foi feita no século XX pelo pintor italiano Ângelo Clerici.

Em seu anexo, localiza-se o Museu do Oratório, também aberto à visitação. O local foi morada de Aleijadinho no final de sua vida.

8. Capela de Nossa Senhora das Dores

A  Capela de Nossa Senhora das Dores do Monte Calvário é uma construção singela, mas extremamente bela. Sua fachada tem elementos ornamentais de forma piramidal e o brasão da irmandade esculpido em pedra sabão. Contam que Marília de Dirceu era frequentadora assídua da capela que diz a lenda ter sido construída pelo noivo de uma das filhas do Vira Sahia.

A lenda conta que o oratório localizado na Ladeira de Santa Efigênia, tinha uma santa que era virada em diferentes direções para indicar por onde o ouro seria levado para os portos, e assim a Portugal, ora para esquerda e ora para a direita, localizando por onde os comboios sairiam.

Os bandoleiros sabendo da direção para onde iam os cavalos, saqueavam o ouro em manifesto aos altos impostos cobrados por Portugal. Quando a Coroa descobriu, os militares invadiram a casa e mataram o Vira Sahia, que guardava o ouro, sua esposa e duas filhas com crueldade.

O noivo de uma das moças, desconsolado, teria mandado construir a Capela das Dores no local em que o corpo da jovem fora desovado. Independente da lenda, a Capela tem uma das vistas mais bonitas da cidade e traz calmaria aos visitantes, que podem se surpreender com a pracinha e os bons causos dos moradores antigos que por ali passam as tardes.

Igreja de Nossa Senhora das Dores em Ouro Preto
Foto: Ane Souz/PMOP

9. Capela de São José

A Capela de São José, antiga Capela Imperial, tem o nome oficial de Capela de São José dos Pardos e Bem Casados. Desenhada por Aleijadinho, a capela contempla a terceira fase do barroco mineiro e ganhou o título de Imperial em 1889, concedido pelo Imperador Dom Pedro II.

Pertencente a Irmandade de Santa Cecília, a capela e sua irmandade tem como tradição a música, os irmãos músicos foram estudados pelo musicólogo Francisco Curt Lange, consagrando nomes como Marcos Coelho Neto, Ignácio Parreira Neves, Francisco Gomes da Rocha, Felipe Nunes Vieira e o Padre Antônio de Souza Lobo.

O cemitério que fica ao fundo da capela também tem grande representação à sua comunidade. O poeta Bernardo Guimarães, o ouro-pretano autor do clássico Escrava Isaura está enterrado na irmandade da qual pertenceu.

10. Igreja de São Francisco de Paula

Agraciada pela vista monumental, a Igreja de São Francisco de Paula foi a última igreja erguida no período colonial. A igreja mais alta da cidade, é um ótimo lugar para poder apreciar o pôr do sol.

A partir das recomendações do Capitão-mor Francisco Machado da Cruz, as obras iniciaram-se pela capela-mor. A igreja passou quase o século XIX todo em construção, devido as condições financeiras da irmandade. Apenas em 1878 as obras da nave foram finalizadas e em 1898 o douramento do altar-mor e de seus altares laterais, e a finalização se deu pelo artista Henrique Bource, entre 1901 e 1908.

A planta da Igreja de São Francisco de Paula obedece aos padrões clássicos, tendo como divisão a nave, capela-mor e sacristia. Seus corredores e tribunas ao longo da capela e sua fachada realizada em linhas retas, alinhando as torres. Podemos destacar a conservação barroca com seu conjunto de talhas em seu interior, inspirando o estilo rococó que pode ser vislumbrado.