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Conheça a história das Minas de Ouro em Ouro Preto

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Do início ao fim da corrida do ouro, as minas carregam uma carga histórica grandiosa e mostram a nossa dívida com os povos africanos.

Por Rayssa Amaral

Da fundação do Brasil ao Brasil Colônia aos dias atuais, as minas de ouro carregam diversas marcas da história do Brasil e de Ouro Preto. Com diversas opções para se conhecer, cada uma das minas abertas hoje à visitação em Ouro Preto guarda trejeitos e memórias de um Brasil escravocrata.

Ouro Preto no auge da corrida aurífera contava com uma extensa quantidade de pessoas, entre a monarquia, setores administrativos e os ricos que vinham explorar as terras e fixavam morada junto a seus escravos, que eram a principal fonte de economia da chamada Vila Rica.

A mineração trouxe o crescimento urbano, fazendo com que os focos políticos e econômicos da Vila mudassem para se adequar ao ciclo do ouro. As minas abertas para a exploração do ouro no ciclo funcionavam cada uma a seu jeito, e carregam histórias, lendas, memórias e afetos da comunidade.

O ouropretocultural a partir de seu Guia de Ouro Preto, fez a seleção das minas abertas à visitação que você não pode deixar de conhecer.

Mina Du Veloso

Mina du veloso
(Foto: Michele Marie / G1)

Com 400 metros de galerias, o caminho da Mina Du Veloso leva a dois salões com água que brota entre as rochas e formam poços. A mina foi batizada por ter pertencido ao Coronel José Veloso do Carmo, um dos grandes mineradores da região trabalhava com 88 escravos que utilizavam o local para exploração.

A mina possuía sistema de aquedutos escavados nas montanhas para abastecimentos da exploração do ouro em minas abertas e na mineração subterrânea.

O passeio a essa mina explora o trabalho do negro na mineração, quais as técnicas utilizadas por eles na arquitetura das minas, quais as formas de exploração do ouro, métodos de garimpagem e o principal detalhe é entender o processo de sofrimento que o sistema minerário colonial trouxe aos negros africanos.


Mina do Chico Rei

Conhecida nos tempos de Vila Rica como Mina da Encardideira, a Mina do Chico Rei foi batizada com esse nome quando foi redescoberta em 1946. Conta a história que Chico Rei foi um dos africanos trazido para serem escravos em Ouro Preto, chegando a Vila Rica na companhia de um dos filhos, os outros filhos e a esposa perdera na viagem de navio da África para o Brasil.

O escravo batizado de Francisco, chamava-se Galanga e era Rei no Congo trabalhou por sua liberdade, as lendas dizem que junto a outros escravos, Chico Rei escondia ouro retirado das minas nos cabelos e levavam as pias batismais onde eram acobertados pelos clérigos.

Já alforriado, Chico Rei teria comprado a mina do dono o Major Augusto, a partir daí a mina começa a prosperar. O trabalho da mina garantia alforrias e ouro para a construção de templos para os negros, entre eles a Igreja de Santa Efigênia. A tradição hoje ainda comemora a folia de reis e o congado, dedicados à Chico Rei.

Sobre os aspectos da mina vemos a escavação manual que fora distribuída em cinco níveis. A mina passa por uma boa parte do centro histórico, estendendo as galerias desde sua entrada próxima ao Santuário de Nossa Senhora da Conceição, abaixo da Igreja de São Francisco de Assis, e da atual Escola de Minas até a Casa dos Contos.

Sua galeria completa conta com aproximadamente 80km² com 175 galerias abertas. A iluminação da mina sai de um túnel principal que fica na entrada, assim apenas 300 metros são abertos à visitação.

Mina do Chico Rei
Foto: Gê Azevedo

Mina Santa Rita

Mina Santa Rita
Essa foto de Mina de Ouro Santa Rita é cortesia do TripAdvisor

A Mina de Santa Rita foi escavada por negros no início do ciclo do ouro em Ouro Preto, nessa época as minas eram escavadas manualmente, sem auxílio de explosivos.

Para esse trabalho eram trazidos negros de minas da África, os que tinha experiência na mineração e trabalhavam orientando os demais.

O processo histórico contado na visitação à mina mostra que os negros eram selecionados, os mais altos castrados e os menores deviam procriar o máximo possível, o motivo era ter descendentes de baixa estatura para poder trabalhar nas minas.

Devido à altura das minas, as crianças também começavam a trabalhar na exploração a partir dos seis anos. As mulheres eram impedidas de entrar nas minas, justificando como se os desmoronamentos teriam acontecido pela ira da mãe terra por elas terem pisado no local.

A mina tem um comprimento total de 800 metros, formados por túneis estreitos e úmidos, porém somente 119 metros estão abertos à visitação.


Mina-Jeje

Mina Jeje
Essa foto de Mina de Ouro Jeje é cortesia do TripAdvisor

Localizada no Alto da Cruz próxima a Igreja de Santa Efigênia, a Mina-Jeje pode ser denominada pelo culto de mesmo nome proveniente da região de Costa da Mina, em Guiné.

O garimpo, embora primitivo, exigia conhecimentos especializados que os portugueses não tinham, por isso foram importados negros cativos que já praticavam a mineração em outros lugares para dar início ao processo produtivo.

Os povos mina-jeje tiveram suas origens em Ouro Preto, o jeje em africano significa estrangeiro, e os diversos povos eram denominados em divisão pela sua etnia após e jeje. Esses povos deixaram na cidade, além do patrimônio material, o imaterial, como o canto, a dança, os instrumentos de percussão, a comida e lendas.

A Mina Jeje entrou em operação em 1713, atualmente sua visitação é limitada a 150 metros de extensão chegando ao corredor que sobe os morros subterrâneos.


Mina Velha

A Mina Velha é uma das mais antigas minas da cidade teve suas atividades iniciadas em 1704 no Arraial do Padre Faria, onde hoje localiza-se o bairro de mesmo nome.

Possui quilômetros de túneis, hoje em grande parte interditados, onde se pode perceber o esforço descomunal para se retirar o metal precioso da montanha.

Pertenceu provavelmente a Filipe dos Santos.

Podem-se ver os veios de ocre, utilizado em pinturas, e malacacheta. Próximo a ela ainda se encontram duas minas: A Mina Vila Rica e a Mina Fonte de Meu Bem Querer.

A mina Velha é constituída por uma galeria principal com derivações e se estende por cerca de 250m, com iluminação artificial e onde se pode observar as unidades hospedeiras da mineralização aurífera.

Mina Velha


Mina 13 de Maio

Mina 13 de Maio

A Mina 13 de Maio é uma das minas mais antigas de Ouro Preto. Está localizada no bairro conhecido como Morro da Queimada, antiga área de mineração, pertencente a Pascoal da Silva e Felipe dos Santos, grandes mineradores do século XVIII.

A mina está localizada bem próxima do centro histórico e do Parque Arqueológico Municipal Morro da Queimada, onde podemos ver a paisagem arquitetônica barroca de casario, igrejas, capelas e ruínas.

É possível a visitação de 180 metros no interior da mina onde pode ser visto o trabalho de exploração que foi feito para a retirada do ouro no Século XVIII.

A casa de mineração, e receptivo, é uma das poucas construídas originalmente em pedra canga, minério pardacento de ferro argiloso.