Literatura, estória, contos e causos de Ouro Preto

Gabriel Gobbi é natural de Ouro Preto. De família tradicional e religiosa, é sobrinho do saudoso Padre Simões. Possui currículo extenso, já que atuou em diversos cargos públicos em Ouro Preto, contribuindo para o crescimento e manutenção do patrimônio histórico da cidade. Técnico em Mineração pela Escola Técnica Federal de Ouro Preto (ETFOP), formou-se engenheiro Civil na UFMG e advogado pela Faculdade de Direito Milton Campos. Pós-graduado em Avaliações e Perícias de Engenharia (IBAPE/MG) e Administração Financeira (UNACPRM/BH). Foi chefe do Departamento de Obras, Assessor de Planejamento e Coordenação e Presidente das Comissões Especiais de Elaboração do 1° Plano Diretor, Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo e Planta de Valores na Prefeitura Municipal de Nova Lima (1978 a 1981); chefe do Patrimônio Imobiliário na Mineração Morro Velho (atual AngloGold Ashanti), de 1982 a 1993; membro fundador e primeiro Vice-Presidente da Comissão OAB Jovem de Minas Gerais, em 1997; coordenador do Programa MONUMENTA/MinC de Ouro Preto em 2001 e 2005). Atuou ainda como secretário Municipal de Patrimônio e Desenvolvimento Urbano, Presidente do COMPATRI (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural e Natural de Ouro Preto) em 2006 e 2007 e Presidente do COMPURB (Conselho Municipal de Política Urbana) na Prefeitura Municipal de Ouro Preto/MG de 2005 a 2012. Foi secretário Municipal de Planejamento e Gestão, Presidente do Conselho da Cidade de Nova Lima (CONCIDADE), Membro Efetivo da Junta de Controle Orçamentário e Financeiro (JUCOF) e Conselheiro titular nos Conselhos do Patrimônio Histórico (COMPAH), de Desenvolvimento Ambiental (CODEMA) e de Turismo (COMTUR) na Prefeitura Municipal de Nova Lima de 2013 a 2014. Presidente e Diretor do Clube das Quintas e Vice-Presidente do Villa Nova A.C. de Nova Lima, em vários mandatos. Em 2011, pela Prefeitura de Ouro Preto, recebeu do IPHAN os prêmios estadual e nacional “Rodrigo Melo Franco de Andrade”. Agraciado pela Câmara Municipal de Ouro Preto com a Medalha de Mérito “João Batista Ferreira Velloso”; pela Ordem dos Cavaleiros da Inconfidência Mineira com a Medalha de Mérito “Tomaz Antônio Gonzaga”, e pela Câmara Municipal de Nova Lima com o título de “Cidadão Honorário de Nova Lima”, em razão dos relevantes serviços prestados aos municípios. Aposentado, atualmente é Auditor no Tribunal de Justiça Desportiva da FMFS de Minas Gerais e Conselheiro Efetivo do Villa Nova Atlético Clube de Nova Lima. Advogado, Empresário, Palestrante, Perito Avaliador de Engenharia Civil e Consultor de Planejamento Urbano.

Estórias do cônego José Feliciano da Costa Simões, Pe. Simões, pároco da Igreja do Pilar, em Ouro Preto

(Déborah Simões Felix- Gabriel Simões Gobbi – Cláudia Simões Gobbi – José Feliciano da Costa Simões, o Pe.  Simões – D. Lúcia Ma da Costa Simões Gobbi, em 1970)

O padre e a loteria

É fato que o Pe. Simões gostava muito de jogar na loteria. Os prêmios que ganhou nunca foram muito grandes e ele sempre que ganhava distribuía para as pessoas carentes. Como jogava certos números, uma vez foi premiado com o primeiro prêmio da Loteria Federal, que era muito alto. Por mais que procurasse não encontrou os bilhetes premiados. Muitos nos depois, com o prêmio já prescrito, para sua surpresa ao abrir uma das páginas do seu missal (livro dos padres) para rezar, lá estavam os bilhetes premiados!

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Investigação perigosa

Pe. Simões nunca aceitou a perda das imagens e das preciosas peças de ouro puro roubadas do Pilar. Sempre falava que tinha a certeza de que o roubo fora encomendado e que “envolvia pessoas graúdas” da sociedade brasileira. Disfarçado, ele visitou muitos antiquários em São Paulo se fazendo passar por comprador, na tentativa de reencontrar alguns dos objetos. Muita gente sofreu durante as investigações, inclusive ele mesmo que esteve preso no Dops, em Belo Horizonte, sofrendo horrores para confessar. Apanhou bastante e envelheceu muito com esta história, mas dizia sempre: “eu perdoo os policiais que me bateram, pois, para descobrir os ladrões eles tinham que desconfiar de todo mundo mesmo”.

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O fantasma do quintal

Quando ainda era seminarista no Seminário Menor de Mariana, Pe. Simões, que era muito brincalhão e alegre, tinha o costume de vir passar alguns fins de semana em sua casa, em companhia da sua mãe e minha avó, D. Gabriella Baêta da Costa Simões, na Rua Getúlio Vargas. Como a casa da família fazia divisa pelos fundos com a Igreja de São José, o Pe. Simões chegava à noite depois das 21h e costumava descer pela ladeira da Igreja de São Francisco de Paula, passando pelo cemitério da igreja de S. José, e entrava pelos fundos do quintal da residência, que era muito escuro. Numa dessas noites, estávamos as crianças, eu, Márcia Valadares e o Cacau (seu irmão), brincando na varanda da casa da minha avó. O Pe. Simões, enrolado em sua batina negra com uma grande capa, como era o costume da época, se escondeu atrás das árvores, começou a falar com uma voz grossa e gutural: “Eu vim do cemitério pegar vocês!!!!”… Dito isso subiu na mureta da horta fazendo UHUHUHUH… e balançando a capa…. Foi um susto geral. A Márcia começou a gritar e se escondeu atrás do banco da varanda; eu, fiquei tremendo como vara verde e comecei a me arrastar pelo corredor gritando por minha mãe; e o Cacau…, ah! Esse pulou a varanda e não sabemos como, desceu escorregando pelo coqueiro que havia na entrada da casa. Foi só com muito custo e muitos copos d’água que nós nos acalmamos, mas o Cacau… ah, esse só foi localizado no dia seguinte… !!!

Repórter: Patrícia Botaro