Literatura, estória, contos e causos de Ouro Preto

Quele, Ouro PretoOSMAR ALVES DE OLIVEIRA JÚNIOR, O QUELÉ, 77 anos, nasceu no interior de São Paulo, na divisa com Mato Grosso do Sul, numa cidadezinha chamada Guaraçaí. Quando tinha pouco mais de 1 ano, seu pai, que era de Minas Gerais, resolveu voltar para o seu estado, já que só estava em Guaraçaí para trabalhar na construção da estrada de ferro Brasil x Bolívia. Foi embora com a esposa morar em Raposos (MG). Próximo dali, moravam seus avós, em Matosinhos. Quelé gostava também de passar algum tempo com eles. Lá ele fez o primário. O ginásio, cursou em Nova Lima. Até ali, sua vida resumia apenas em jogar futebol, só queria saber disso. Até que seus pais resolveram que ele teria que mudar de ambiente e o mandaram para estudar e se aventurar em Ouro Preto em 1956. Aqui ele se tornou engenheiro pela Escola de Minas da Universidade Federal de Ouro Preto, ator, marido, pai, avô, pintor e canteiro. Quelé é tudo isso: um homem de Exatas, apaixonado pela Ciências Humanas.

La chasse au renard ou Caça à raposa

Era 1964 em Ouro Preto. O fim de ano, era época de exames para os alunos da Escola de Minas. Depois das provas, a gente tinha costume de ir para a Rua São José, em frente ao bar do Peret. Em um dia desses, após uma prova oral, fomos todos para lá. Cada hora chegava mais gente.  Todos conversando, naquele clima de fim de período, todo mundo um pouco estressado.
Aconteceu uma coisa muito curiosa. De uma hora para outra, todo mundo começou a andar pela rua São José até o Largo da Alegria. Voltava para Rua São José, passava pela Casa dos Contos, sem nenhum propósito. Era um grupo de mais ou menos 30 estudantes. Nesse meio tempo, alguém gritou “É a caça à raposa”. E começou o que hoje a gente chamaria de performance.
Desceu gente até da República Quitandinha. Acabou surgindo uns instrumentos, umas trompas. As pessoas assopravam: “tutuuuuu, tutuuuu”. Igual uma caçada real, uma caçada à raposa inglesa. Chamamos de “la chasse au renard”, quando perguntavam o que era.
Subimos rua, descemos rua, fomos até o Rosário, Água Limpa, até lá na “Banheira”. E a trompa não parava: “tutuuuu, tutuuuuu”. Depois descemos até a cadeia, na Praia do Circo. E tudo isso acabou onde? Todo mundo foi para zona. Tudo acabava na zona. Uma verdadeira catarse.

Repórter: Patrícia Botaro