Literatura, estória, contos e causos de Ouro Preto


vandico_ouro_pretoWANDERLEI ALEXANDRE DA SILVA, O VANDICO
, nasceu em Ouro Preto em 1936. Estudou somente até o científico, mas não concluiu, largou tudo para ser pintor. Na época, queria ser jogador de futebol e seu pai, que fosse engenheiro. Mas Vandico começou a pintar e a ganhar dinheiro com seus quadros quando era menino ainda. Pintava de tudo, mas gostava mesmo era de pintar Ouro Preto, já que gosta muito daqui. Ele veio de uma família de artistas. Dos parentes por parte de sua mãe, a maioria era artista. O Eugênio Diogo, por exemplo, pintor clássico em Ouro Preto, era primo da sua mãe. Quem ensinou muita coisa a ele sobre pintura foi Jair Afonso Inácio, restaurador. Segundo ele, era o maior restaurador de Minas Gerais, e autodidata também. Vandico só criou um atelier fixo recentemente, que funciona ao lado da Igreja do Pilar. Teve seus trabalhos  exibidos em importantes galerias de várias cidades como: Cataguases, Itabira, Divinópolis, Brasília, Salvador, São Paulo, Paris entre outras. Trabalhou na Alcan e na Escola de Minas como desenhista, onde se aposentou. Fazia desenhos técnicos, arquitetônico e mecânico.

Ele também é um compositor. Gosta de música desde menino. Assim como a pintura. Compôs vários sambas enredos, para diversas escolas de sambas. Participou da saudosa Charanga de Carlota. Foi premiado várias vezes como melhor compositor do carnaval de Ouro Preto, participou de diversos festivais de música popular onde também conseguiu a premiação de melhor música em diversas ocasiões.  Ele adora carnaval. Tanto que conheceu sua esposa, Marlene Alves Oliveira, professora de arquitetura, no bloco Vermelho e Branco. Ela era de Belo Horizonte e veio passar o carnaval aqui. Além disso, gosta de escrever também.Publicou em 2001 o Livro “Jacubas e Mocotós” com duas edições esgotadas. Um livro de resgates e memórias de pessoas que ninguém se lembra mais. Vandico é desses que se apega ás pessoas de rua. Suas crônicas também são publicadas em jornais de Ouro Preto e Minas Gerais. Atualmente tem três livros prontos para serem lançados. Um de crônicas, outro sobre piadas sem graças e o último sobre o ex-prefeito de Ouro Preto, João Veloso. Mas tem dificuldade de conseguir patrocínio.

Hoje ele está com 81 anos, e mesmo depois de todo esse tempo, nunca pensou em parar de pintar. Nas suas palavras:“Eu não me sinto velho, meu espírito ainda é jovem”.

A missa do Bené da Flauta

Ouro Preto sempre teve muita gente doida. Contam que uma vez Dom Pedro II veio a Ouro Preto e pediram a ele para fazer um hospício. E ele disse “Precisa não, aqui é só cercar”. E uma dessas figuras era o Bené da Flauta.

Bené era um sujeito engraçado demais, gostava muito dele. Ia muito na sua casa. Na década de 60, ele fez um saxofone com vários objetos, como tampinhas de cerveja. E o som era idêntico ao do instrumento comum. Os estudantes viram aquilo e colocaram o apelido nele de “Bené do pênis ereto”. E ele saía falando: “Eu sou o Bené do pênis ereto”. Mas ele não sabia o significado daquele apelido. Quando ele ficou sabendo, mudou para Bené do Saxofone. E depois para Bené da Flauta. Ele vivia na rua, vendia as esculturas que fazia em pedra-sabão a qualquer preço, e no chão mesmo. Ele não se adaptava a lugar nenhum, saia perambulando.

Quando ele fazia aniversário, se eu não me engano, no dia 2 de novembro, ele celebrava uma missa. E essa era a missa mais doida do mundo e os amigos, como eu, eram os assistentes dele. Ele falava como se fosse o padre e a gente respondia tudo: “Eu sou o Bené, peço a Deus que me dê muita força, muita luta”. E a gente respondia: Amém! Amém! ”. E continuava celebrando a missa. Quando ela acabava, ele logo falava: “Agora vamos tomar um golo”. E claro, todos iam com ele.

Repórter: Patrícia Botaro