Museus: Locais de Futuro
Ouro Preto é um verdadeiro Museu a céu aberto, com todas as implicações que esta condição proporciona. Assim discutir, apresentar e ressaltar detalhes museológicos será sempre interessante e esclarecedor, o prof. Gilson Nunes iniciará uma sequencia de pequenos textos que irá mostrando o tema de forma rica e ilustrativa.

O ouro preto também está no Museu

Prof. Dr. Gilson Antônio Nunes

fotografia artigo gilsonMarte e a Lua já foram observados, quer seja pelas lentes do telescópio refrator do Observatório Astronômico, ou a olho nu pelas pequenas amostras dos meteoritos rochosos na vitrine do Setor de Astronomia do Museu de Ciência e Técnica da Escola de Minas da UFOP. Mas além de minerais vindos do espaço, existem todos aqueles formados na Terra.
E se há no Brasil uma referência em mineração, este lugar é Ouro Preto. Passados mais de trezentos anos, continuamos sendo uma cidade mineradora, agora de ferro. Foi nesta cidade conhecida então como Vila Rica, que se realizou o sonho da metrópole portuguesa de se encontrar ouro na sua colônia na América do Sul.
Foi por conta da busca do ouro, que nessas terras chegaram os primeiros bandeirantes vindos de São Paulo e que, em 1698, encontraram por aqui o ouro preto, deflagrando uma autêntica corrida por este mineral sem igual em terras brasileiras.
O antigo Museu de Mineralogia, atual Museu de Ciência e Técnica da Escola de Minas da UFOP, é considerado, desde sua origem, como uma referência por sua vultuosa coleção de minerais.
foto artigo gilson
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Assim, tanto no setor de Mineralogia I, com concepção museográfica herdada da Escola de Minas de Paris em 1984, quanto no setor de Mineralogia II que apresenta os minerais em uma exposição com vitrines semelhantes às do início do Museu, o visitante poderá comtemplar pequenas amostras do mineral ouro.
Em Vila Rica, era muito frequente encontrar pepitas de ouro, recobertas com uma película de óxido ou hidróxido de ferro, de cor muito escura, devido à abundância do minério de ferro na região. Esse ouro também é rico em paládio. Na época, esse elemento ainda não era conhecido, sendo descoberto em 1803. Quando o ouro era fundido, era conhecido como “ouro podre” por causa do paládio. Nesse processo, além da retirada do paládio, também o óxido de ferro era separado do ouro.
(Fotografia Leonardo Homssi – Guia do MCT-EM-UFOP).

Rochas do Céu para o Museu

Depois de observar a Lua e até o planeta Marte pelas lentes do telescópio refrator do Observatório Astronômico da Escola de Minas da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), o visitante pode conhecer esses planetas um pouco mais de perto. Literalmente!

Basta conhecer os pequenos fragmentos dos meteoritos Dar al Gani 262 e 476, que são provenientes justamente do satélite natural da Terra e do planeta vermelho. Esses pedaços de rochas da Lua e de Marte estão em exposição no Setor de Astronomia Museu de Ciência e Técnica da Escola de Minas da UFOP.

itutinga_meteorito

Os meteoritos são fragmentos de corpos celestes (como asteroides, Lua, planetas rochosos ou cometas) que após orbitarem no espaço são atraídos pela força gravitacional, passam pelos gases de nossa atmosfera e atingem a Terra. Portanto quando a rocha de origem celeste é recuperada trata-se de um meteorito. Quando nos referimos ao fenômeno luminoso denomina-se apenas meteoro, embora popularmente nesse momento são chamados de estrela cadente. Finalmente, quando o objeto ainda se encontra no espaço, em órbita do Sol ou mesmo da Terra são designados genericamente de meteoroides.

Diariamente centenas de toneladas de meteoroides bombardeiam a alta atmosfera terrestre. O meteorito recebe o nome da localidade mais próxima de onde foi recuperado (por exemplo: Dar al Gani é uma região do Deserto do Sahara na Líbia). Quando a queda do meteorito é assistida ele é tido como queda, se for encontrado no campo sem estar relacionado a qualquer evento, é considerado meteorito achado.

Os meteoritos são classificados quanto à composição química em: rochosos ou aerólitos (cerca de 95% do total), formados basicamente de material rochoso, metálicos também chamados de sideritos (cerca de 4%) formados basicamente da liga metálica ferro-níquel ou em metálicos-rochosos (cerca de 1%), os siderólitos, que são meteoritos compostos por fases metálica e rochosa.

A coleção de meteoritos do Museu de Ciência e Técnica da Escola de Minas/UFOP é uma das mais significativas do país, com quase 70 amostras, sendo também expostas no Setor de Mineralogia I. O maior meteorito da coleção é o siderito Itutinga – MG (foto) achado em 1960 (grupo: IIIAB, tipo estrutural octaedrito médio – Om), com massa de 46,21kg.

Atualmente o Museu realiza pesquisas e procura contribuir como um centro de referência na área. Assim se assistir a uma queda ou mesmo se encontrar uma rocha muito escura, de elevada densidade e que possua ferro (ou seja fortemente atraída por um imã), entre em contato com o Museu.

Do Barroco ao Espaço Sideral

Museus Locais de Futuro, Museu de Ciência e Técnica, Astronomia, Escola de Minas de Ouro Preto

Estar em Ouro Preto, uma cidade tão importante para a história do Brasil e como uma das maiores produtoras de ouro do século XVIII uma cidade igualmente relevante na economia mundial, propicia muitas descobertas.

Caminhar pelas ladeiras do centro histórico revela sempre novos ângulos e pontos de vista verdadeiramente fascinantes. Se for à noite então logo ao nascer da Lua cheia o horizonte leste da cidade se confunde ao intenso brilho do satélite natural da Terra.

Mas porque não observar a Lua mais de perto?

Se a caminhada for em um sábado basta se dirigir ao prédio da Escola de Minas da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) na Praça Tiradentes e na lateral direita acessar o Observatório Astronômico.

Ao chegar ao observatório o visitante seja turista ou morador (para o qual a visita é gratuita) pode conhecer os equipamentos antigos e modelos usados nas aulas de desenho dos cursos de engenharia no início do século XX na Escola de Minas. Pode conhecer também centenários aparelhos para medidas de ângulos e distâncias para se produzir plantas topográficas e finalmente conhecer antigos telescópios usados nas observações astronômicas. Esses são alguns acervos da coleção dos Setores de Astronomia, Topografia e Desenho do Museu.

Mas e a Lua? Sim a Lua, planetas do Sistema Solar e outros astros visíveis durante a noite podem ser observados pelas lentes do telescópio refrator, produzido pela empresa alemã Gustav Heyde na cidade de Dresden, Alemanha em 1911.

Em todo esse percurso alunos de graduação da UFOP e membros da Sociedade de Estudos Astronômicos de Ouro Preto orientam os visitantes e operam os telescópios.

Essa ação faz parte de projetos de extensão e que também atendem escolas e outros grupos de visitantes mediante agendamento prévio às quintas-feiras das 19 às 22h.

Serviço: Museus Locais de Futuro, Museu de Ciência e Técnica, Astronomia, Escola de Minas de Ouro PretoObservatório Astronômico e Setores de Astronomia, Topografia e Desenho do Museu de Ciência e Técnica da Escola de Minas da UFOP.
Aberto ao público aos sábados das 20h às 22h.* Atendimento a escolas e outros grupos de visitantes mediante agendamento prévio às quintas-feiras das 19 às 22h.*
*Fechado em feriados, feriados prolongados, recessos e férias escolares da UFOP.
Telefone: 31-3559-3118
E-mail: museu@ufop.br
Home Page: www.museu.em.ufop.br

Gilson Nunes, Museus, Professor Museologia Ouro Preto

Gilson Antônio Nunes | Graduado em Engenharia Civil | Especialista em Ensino de Astronomia | Mestre em Engenharia de Materiais (Meteorítica) | Professor Efetivo do Departamento de Museologia da Escola de Direito, Turismo e Museologia da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) | Ex-Diretor da Escola de Direito, Turismo e Museologia da UFOP | Coordenador do Observatório Astronômico da Escola de Minas da UFOP | Coordenador Acadêmico do Museu de Ciência e Técnica da Escola de Minas da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) | Ex-Coordenador Executivo do Sistema de Museus de Ouro Preto (SMOP)


Publicado no ouropretocultural em outubro de 2017

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